Alma
Na religião e na filosofia, a alma é o aspecto imaterial ou a essência de um ser vivo. Geralmente se acredita que seja imortal e que exista separadamente do mundo material. Antropólogos e psicólogos constataram que a maioria dos seres humanos acredita na existência de uma alma ou de um espírito e que, em diferentes culturas, distingue a alma — ou espírito — do corpo material.
As religiões concebem a alma de maneiras diferentes. O budismo geralmente ensina a inexistência de um eu permanente (anatta), em contraste com a crença do cristianismo em uma alma eterna, para a qual a morte constitui uma transição à presença de Deus no céu. O hinduísmo considera o ātman ("eu", "essência") idêntico ao Brahman em algumas tradições, enquanto o islã emprega dois termos — rūḥ e nafs — para distinguir o espírito divino da disposição pessoal. O jainismo considera a alma (jīva) uma forma eterna, embora mutável, até alcançar a libertação, enquanto o judaísmo utiliza vários termos, como nefesh e neshamah, para se referir à alma. O siquismo considera a alma parte de Deus (Waheguru), o xamanismo frequentemente adota o dualismo da alma, com "almas corporais" e "almas livres", e o taoismo reconhece dois tipos de alma, hun e po.
A alma é uma área central de interesse da filosofia desde a antiguidade. Sócrates concebia a alma como dotada de uma faculdade racional, cujo exercício seria a atividade humana mais semelhante à divina. Platão acreditava que a alma fosse o verdadeiro eu da pessoa, um habitante imaterial e imortal de nossa vida, que continua existindo e pensando mesmo após a morte. Aristóteles descreveu a alma como a "primeira atualidade" de um corpo naturalmente organizado — a disposição de forma e matéria que permite aos seres naturais aspirar à plena realização.
Os filósofos medievais desenvolveram essas bases clássicas. Ibn Sina distinguiu a alma do espírito e argumentou que a imortalidade da alma decorre de sua natureza, em vez de ser uma finalidade a ser cumprida. Seguindo princípios aristotélicos, Tomás de Aquino compreendeu a alma como a primeira atualidade do corpo vivo, mas sustentou que ela poderia existir sem o corpo, pois realiza operações independentes dos órgãos corpóreos. Na filosofia moderna, as três principais teorias que descrevem a relação entre a alma e o corpo são o interacionismo, o paralelismo psicofísico e o epifenomenalismo. Durante o iluminismo, Immanuel Kant definiu a alma como o "eu" no sentido mais técnico e sustentou que se pode demonstrar que "todas as propriedades e ações da alma não podem ser reconhecidas a partir da materialidade".
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